Resenha: O Oceano No Fim do Caminho

sábado, janeiro 03, 2015
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 208
Gênero: Fantasia

''Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo.''

"As pessoas pensam que sonhos não são reais apenas porque não são feitos de matéria, de partículas. Sonhos são reais, mas eles são feitos de pontos de vista, de imagens, de memórias e trocadilhos, e de esperanças perdidas." - Neil Gaiman

Iniciei o ano de 2015 com uma maravilhosa leitura de um dos clássico de Neil Gaiman, “O Oceano no fim do Caminho”, o livro é bem simples, tem apenas 208 páginas e é contido na maioria por diálogos.

Trata-se da experiência de um homem por volta dos cinquenta anos, que ao voltar a terra natal (Sussex, Inglaterra), para um velório, acaba sendo levado inconscientemente para a casa da fazenda de sua amiga de infância, a fazenda Hempstock. Lá, ao se sentar ao lado do lago que marcou sua infância, o lago que Lettie, sua amiga, chamava de O Oceano, ele passa a se lembrar de tudo o que lhe aconteceu quando tinha 7 anos, quando conheceu Lettie Hempstock e junto com ela uma realidade que estava além de sua concepção de criança. Uma realidade um tanto quanto assustadora, mas que foi essencial para sua formação como ser humano.

O Oceano no fim do Caminho, nos faz lembrar de nossa própria infância, de como quando eramos crianças sempre estávamos em busca de aventuras, explorando caminhos alternativos, ao contrário dos adultos, que sempre seguem caminhos pré-determinados, sendo que nunca lhes ocorram pisar fora desse trajeto, como se fosse mais fácil acompanhar a trilha planejada a sua frente. Afinal,na infância eramos invencíveis, não eramos?

Podíamos ser imperadores, ou faraós do Egito e ninguém nunca iria nos derrotar! Mas os anos vão passando, a magia da fantasia se perdendo e percebemos que podemos sim ser derrotados, as outras pessoas podem nos afetar, nos magoar. Porém, também há aquelas que marcam nossas vidas de uma forma especial, de uma forma para não esquecermos, nunca, de que lá no fundo ainda temos nosso espírito aventureiro da infância, que podemos sair do caminho pré-programado, e que independente se tivermos 10,20 ou 50 anos ainda valemos a pena, estamos vivos, não estamos? E enquanto estivermos respirando o mundo se encontra de portas abertas para explorarmos além do fim do caminho.



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