Le froid est arrivé et se répandre dans mon coeur...

sábado, abril 26, 2014



Estava chovendo. Eu podia sentir o vento gélido colidir com meu rosto quente. Apesar da sensação agradável do choque térmico, eu sentia que o frio não vinha apenas de fora; era um frio interno, um que vinha do coração e percorria por todo meu sistema sanguíneo. Analisava minhas unhas como quem anda distraída demais para faze-las. Distraída demais para poder realizar qualquer atividade fora da cama.
 As gotas caiam sobre minha toca e eu tentava me aconchegar em meus cachecóis e casacos, aconchegar meu coração. Olhei para o visor do celular na esperança de que houvesse uma saída, uma mensagem sua dizendo que queria me ver e o que encontrei foi apenas meu bloco de notas avisando da reunião importante que me esperava.
Sabe aquela sensação de que por anda anda ninguém a conhece, nem você a si mesmo? É essa que eu ando sentindo dia após dia. É uma agulha furando minha pele, uma espécie de tortura disfarçada de coração partido. Fico esperando o dia em que poderei respirar novamente.
 Apressei os passos, a única coisa que eu havia controle. Não poderia choramingar para a vida migalhas de coisas boas, não queria migalhas, queria amor, compaixão, lealdade e carinho. E nada disso se torna o suficiente se for pela metade, se for sobras. Migalhas. Migalhas.
 O vento insiste em colidir com meu rosto, a minha respiração fica densa e eu tento respirar pela boca, mas a sensação é tão intensa, que o ar me falta e eu preciso parar e recuperar-me.

Sentir o calor dos braços teus
envolvendo os meus
Sentindo seus lábios tocarem minha pele
na tentativa de me seduzir
Não entendo onde foi parar aquele cheiro amadeirado
misturado com loção pós barba e sabonete
Sinto falta de contornar tuas tatuagens e beijá-las



2 comentários:

  1. Este foi seu solilóquio mais sinestésico de todos. Nada de frieza interior, pelo contrário. É uma grande sensibilidade de abrigar o mundo. Este é um dos seus textos mais completos, mais maduros. Um dos que mais gostei. Abraço.

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    1. Muito obrigada pelas palavras Vitor. Sua opinião é deveras importante pra mim! Abraços!

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